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Friday, March 16, 2007

Campy, Vampy and Vintage!

O espetáculo burlesco The Atomic Bombshells promete erotismo, tentação, riso, apetite e volúpia. Noite impecavelmente coreografada por "bailarinas do querer", que pisam seminuas sobre nossas fantasias de prazer total. Life is a Cabaret!

A casa de show vive repleta de fãs, admiradores, curiosos e apaixonados. O ambiente especialmente decorado é inspirado nos anos 30. Mesas redondas com toalhas rosa-chá, poltronas de veludo vinho, perfume no ar. O menu do restaurante oferece pratos exóticos do oriente e resgata o tempo em o estrangeiro causava maior deslumbramento.
As paredes convidam, a luz penetra: "Sexo só pode ser um pecadinho venial. Meu santo, venha viver”. No palco, a cortina vermelha exclama sangrenta: viva a concupiscência!



Entra o apresentador do espetáculo Jasper McCann. Após algumas piadas, o anfitrião dá espaço para o primeiro número das seis dançarinas: Lily Vanderlou, Miss Indigo Blue, Kitten e Bunny La Rue, Honey deLuxe e Fanny in Flames.

A luz é dramática e quente. As meninas surgem coloridas com saias de armação, corpetes e muitos acessórios. Aplausos e sede. Depois da dança inicial, McCann entretém o público ao som de Martin Denny. Todos querem embarcar. O anfitrião costura o caminho da viagem.

Cada dançarina apresentará seu sexy-solo. Entra a primeira. “I love you!”. No teatro burlesco, as artistas normalmente elaboram cenas a partir de um tema musical. Cheias de luxo e cores, elas exibem seus diferentes talentos de dança, flexibilidade, graça, sensualidade e humor. Escancaram o desejo, que surge relaxado e gostoso. Durante a narrativa, a dançarina faz um strep-tease parcial. Os trapos que sobram são insuficientes para conter a imaginação de qualquer espectador. “Now, I love YOU!”

Essas são moças feitas de carne e delícia, sexo e gula. Seus corpos revelam curvas e caminhos, reentrâncias de prazer. O burlesco é lugar de excesso. Exijamos perfeição física das russas do circo, que também brincam com as nossas ilusões. Enquanto isso, pecado e pudor são pensamentos para distrair outras moças, com mente e corpos mais magros e frios.

Tuesday, January 11, 2005

Rio de Janeiro/RJ - Jd. Botânico


As Palmeiras Imperiais
As palmeiras imperiais foram plantadas pelo próprio Dom João VI. A entrada do parque parece uma obra de arte.




O jardim é impressionante. Há também um orquidário, um pedaço especial com a mata atlântica, um jardim tipicamente inglês etc.


Para fechar o dia com chave de ouro, fomos assistir à peça de teatro "Nada de Novo", dos Parlapatões, no Jockey Club do RJ. Eles são engraçadíssimos. Particularmente, adoro Hugo Possolo. Mas teatro no Rio não é como em São Paulo. Talvez porque estivéssemos no Jockey. O que impressionava era o público sisudo, cheio de globais, que não tem o mesmo senso de humor dos paulistanos.

Wednesday, December 01, 2004

Tem Alguém Aí?


Violet em cena em dezembro!
Aqui, ainda no camarim, ela se arruma.



tirando uma casquinha...
garoto esperto, uh!



Aqui, com Marcelo Santos... fazendo contas!

Thursday, November 25, 2004


- aqui lá vai o ganso..
- o quê?
- o quê?
- o quê?
- o ...
"Babau! Vire-se amigo: no momento estamos rezando o Padre Nosso. A cada um sua vez de ser comido..." (Pai Ubu - Ubu Rei de Alfred Jarry)

Saturday, September 25, 2004

Fim de Partida


Samuel Beckett

Quatro personagens em cena: Hamm, Clov, Nagg e Nell. Do lado de fora, o nada, o mundo que já não existe. Do lado de dentro, a repetição do ontem, da hora zero, da memória angustiante que inibe qualquer vontade de mudança. Pour quoi changé? Não há nada a fazer, só esperar o fim do jogo.

Por meio de ações encadeadas, Beckett questiona o sentido da vida, do homem, do sonho. O fio condutor se dá na relação entre “o abandono e a miséria humana” versus “a necessidade de convivência e troca”. Hamm, cego e preso a uma cadeira de rodas. Nagg e Nell, mutilados, vivem em dois latões. Clov, aquele que serve a todos e que “dá as deixas”. Essa situação teria tudo para ser dramática, mas não é. Beckett transita pelo cômico, pelo épico, pelo trágico, pelo dramático e não se apega a nenhum dos gêneros. Foge da forja.

Como diz Nell, “nada é mais engraçado do que a infelicidade”. É o funk "Da lata"! Na peça, o autor trata da falência do discurso, de um tempo em que já não vale a pena dizer. Pensamentos. A ilusão da fragmentação ocorre, mas não é fato. A solidão das personagens é capaz de dar continuidade a qualquer quebra de ritmo, num riso que vaza no trágico que encadeia no heróico e morre sem drama.

Wednesday, December 12, 2001

Violet

Resolvi estudar teatro aos 14 anos. Queria aprender a escrever peças e matriculei-me num curso para atores. Essa história fazia um certo sentido para mim. Sem querer, coloquei-me timidamente entre jovens ex-tre-ma-men-te ex-tro-ver-ti-dos.

Os módulos do curso duravam um semestre e o diploma de ATRIZZZZ só seria entregue em três anos. No final de cada termo, o ritual da passagem: o grupo precisava apresentar uma peça teatral.

No primeiro semestre, sofri um bocado. Aula de interpretação com a diretora Solange Dias. Ela provavelmente não se lembra de mim. Lembro-me dela, pois eu “adorhhava imitar sua língua prhhesa” no caminho de casa, sozinha, resmungando contra minha timidez.

O tempo urgia. Logo no primeiro mês, fazia-se necessário escolher a peça e distribuir os papéis. Mas como? “Patrísssia, você será Dórhis, a pedrha”. Exigiu-me um caderninho de construção do personagem. Eu, meninota ainda, fiz e refiz os diários com a história dessa pedra, da mãe dessa pedra, do filho dessa pedra, da dor dessa pedra. Foi um trabalho interessante, diria.

Noite da apresentação. Na platéia, mãe, pai, irmão, vizinho, avó etc. E a peça passava e nada de Patrícia. De repente, minha cena. Entro carregada por meus amigos e fico de pedra, lá no fundinho.

- Filha, sua interpretação estava ótima. Pena que você não falava.

No dia seguinte, a avaliação. A professora pega os caderninhos de construção de personagem. Lê a todos, atentamente. Passei com 10 e um comentário: Patrícia é quieta, mas muito sensível.

Segundo termo, aulas com Marcio Trachinatto. Eu preciso aprender a falar de maneira ex-tre-ma-men-te ex-tro-ver-ti-da no primeiro mês para pegar algum papel interessante. Quanta responsabilidade.

O tempo urgia. Logo, fazia-se novamente necessário escolher a peça e distribuir os papéis. Mas como? “Patrícia, você fará a mãe de Pedro, que deve comunicar a ele que o pai foi preso. Trabalhe bastante”. E lá fui eu, com meu caderninho de construção de personagem. O que era ser uma mãe na época da ditadura? O que era ser costureira? O que era contar para seu filho que o pai fora preso? O que era ser forte?

Noite da apresentação. Na platéia, mãe, pai, irmão, vizinho, avó etc. E a peça passava e nada de Patrícia. De repente, minha cena. Entro em cena costurando um tecido qualquer. E falo minha única fala, respirando calmamente, sentindo todas as dores que eu pude estudar em seis meses “: Filho, seu pai... (respiração, respiração, respiração) foi pego pelos militares”.

- Filha, sua interpretação estava ótima.
- Obrigada, mãe.

Avaliação. O professor pega os caderninhos de construção de personagem. Lê a todos, atentamente. Passei com 10 e o mesmo comentário.

Terceiro termo. Nos corredores, tudo exigia um grito que minha voz não gritava, uma pose que meu corpo não queria, uma roupa que meu corpo não vestia. Enfim, só gostava das aulas de Oswaldo Boaretto, diretor quieto que exigia concentração. Foi com ele que comecei a descobrir que os tímidos também amam.

Quarto termo do Teatro Escola Célia Helena. Aulas de CLOWN, com Beth Dorgam. Ah, que diversão. Eis como Violet apareceu.

- Não faremos uma peça. Vocês escreverão suas cenas com os “clowns” que vocês também construirão.

E, aos poucos, Violet foi surgindo. Irônica, divertida, engraçada. Escrevi uma cena, duas. E, sem querer, escrevi quase todas as cenas da peça e participei de quase todas elas. Virei estrela, egocêntrica, artista e ex-tre-ma-men-te qualquer coisa.

Noite da apresentação. Estava lá minha mãe e meu irmão Luciano. Os outros parentes não puderam ir dessa vez. Uma pena! Mas o teatro estava cheio e Violet entrou em cena com um charuto, uma garrafa de pinga, brincando com o público.

Cai o pano.