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Wednesday, January 03, 2007

Holiday season

A semana de férias foi de muito trabalho. Laurent e eu só paramos por dois dias, bem quando um vírus terrorista de gripe veio comemorar o Natal aqui em casa. Então, os únicos dias off ficamos de cama. Nos momentos de descanso, muito filme, febre, livro, sono, chá e bom petisco.

A dica de livro é a biografia de Casimiro Montenegro, por Fernando Morais. O livro é recheado de boas aventuras de Mimiro, o rapaz que saiu do Ceará com o sonho de ser piloto de avião (mais ou menos como querer ser astronauta hoje) , foi para a capital federal Rio de Janeiro, fez e aconteceu na revolução tenentista, criou o Correio Aéreo Nacional, ligou Norte a Sul do Brasil e idealizou o ITA - Instituto Tecnológico da Aeronáutica no Brasil.

Ele foi pai de Fabio Montenegro, quem projetou, pensou e criou o Instituto Paulo Montenegro, instituição sem fins lucrativos com foco em Educação ligada ao IBOPE. Trabalhei sob sua supervisão (ou super-visão) durante dois anos e aprendi muito. Fabio era um sujeito inteligente, criativo, engraçado e muito exigente. Lembro-me de sua felicidade com o projeto do livro. Ele falava sobre as pesquisas, trazia fotos, contava as conversas com Fernando Morais (uma vez, o escritor sofreu um acidente em Paris e quebrou os dedos da mão - como digitar o livro, uhn?), trazia as fotos que o pai tirou pelo Brasil, carregava brilho nos olhos.

Também estou com The Long Tail, sobre Web, mas esse é outro papo.

O CD de dezembro foi Cê, de Caetano. Ganhei de pré-aniversário, ainda em novembro. Antes de falar do disco, quis ouvir. E lá foi o álbum pro I-pod, para ser curtido no ponto de ônibus com neve, no trabalho, em casa, sozinha. Gostei da inventividade de muitas músicas, da voz de Caetano, do estilo do álbum, da novidade. Fico com "Homem", "Herói", "Nao me Arrependo". E me divirto com "Porquê"?

Outro álbum interessante, este de novembro, foi o novo de Cat Stevens (agora Yusuf Islam). Este compramos via ITunes. A curiosidade puxou a orelha. Ai, Yusuf.

Entre podcasts, ah, tem muita coisa legal na Web. Laurent descobriu o The Sounds in My Head e este merece destaque. Gostoso, criativo, antenado, ado-ado. Viva a Web!

Friday, August 25, 2006

Jifunza Biblioteca

Na semana passada, começamos como voluntários do projeto-piloto Jifunza Library, que planeja e viabiliza a construção e desenvolvimento de bibliotecas e centros comunitários em pequenos vilarejos da África. O objetivo da organização é alfabetizar e fortalecer comunidades locais. O Jifunza tem apoio da Universidade de Washington (UW), de Stanford (SU), da UNESCO e da rede Half Price Books.
Colaboraremos seis horas por semana, nesta fase inicial do programa. Laurent e eu, devido o histórico da Duck (gerenciamento de projetos) e nossos trabalhos atuais, lideraremos os times de estudantes que coletam livros para a primeira biblioteca. Em resumo, devemos coordenar a coleta, seleção e catálogo de dez mil livros, que serão enviados via container para o vilarejo muçulmano de Larabanga, em Gana. A comunidade foi eleita para o piloto, por causa de ligações do Departamento de Pós-Graduação em Antropologia da UW e SU com lideranças no país africano.
O primeiro encontro foi na casa da diretora-executiva da organização em Seattle, a antropóloga Ruth Zaslow. Lá, tivemos o prazer de conhecer a outra voluntária, Zola Maddison, que terá a mesma função que a gente.
Passamos o domingo, entre caixas de livros, a estabelecer critérios e fluxo de trabalho.
Na quarta-feira, encontramos os estudantes que ajudarão no piloto. Durante duas horas de treinamento, discutimos a missão do programa, o perfil do trabalho e os desdobramentos. Jifunza é uma idéia bonita, e toma o conceito de que educação surge do diálogo, participação na construção do conhecimento e autonomia.

Friday, August 11, 2006

Kubatsirana

Hoje, fui conhecer o programa e o pessoal da HAI, Health Alliance International, uma organização sem fins-lucrativos que atua em Moçambique e Timor Leste.

Minha anfitriã foi Molly, uma americana que morou dois anos no Brasil, em Recife, para fazer a pesquisa de seu doutorado. Sua tese, em fase de finalização, fala sobre a relação entre Saúde x Candomblé: rituais de nascimento e morte. Ela fala um português bonito, com sotaque do nordeste.

Em setembro, Molly mudará para Moçambique, para gerenciar o programa de fortalecimento comunitário da HAI. Ficará no país por um ano. Talvez eu e Molly ainda nos cruzemos por aí, ou por lá...

Kubatsirana, que eu vou!

Wednesday, May 10, 2006

A tricoteira na reunião

Terça-feira, dia de reunião geral no trabalho. Três horas semanais para ouvir os projetos da universidade no mundo. E piadas institucionais, lógico. E lavação de roupa suja entre gerentes de projetos. E cortesias. E cantar parabéns para o aniversariante da semana. Essas coisas. Muitos aproveitam o tempo para desenhar no bloco de notas, outros para jogar no palm, outros escrevem e-mails e outros ... fazem tricô! O quê?! Literalmente, tricô! Sim, eu até cocei meus grandes olhos cansados e sonhadores. Mas não, a professora doutora sei-lá-o-quê levou um novelo de lã e duas agulhas de tricô para a reunião. Explicou o efeito mágico do tricotar: além de despertar o lado inativo do cérebro, ajuda na concentração.

1. Bem, minha primeira curiosidade é voltada para business: quantos cachecóis a professora conseguirá terminar até o Natal? Será que podemos abrir lojinha!? Echarpes especiais para pessoas inteligentes - aceito cheques.

2. Eu ouvi dizer também que luz baixa, olhos fechados e sons de baleia são maravilhosos para concentração. Será que eu devo experimentar o método terça-feira que vem? Não, eu ainda não sou doutora. Por isso, enquanto ela tece o marasmo, eu desenho.

Wednesday, September 14, 2005

ONG Phone

ThinkGeek

Lá estava meu chefe querido, novamente, em suas aventuras dentro da firma. Tinha uma reunião importantíssima com o grupo de acionistas e o diretor de RH do Group Brimbrim. Sua apresentação de Power Point estava super enxuta, com a fonte mínima valendo a metade da idade da pessoa mais velha do meeting: ele usou Arial 35. A idéia geral era mostrar os feitos de 2005 da Fundação Brimbrim e pedir mais orçamento para os programas ambientais de 2006.

A secretária tinha uma missão, também. Ligaria em 20 minutos, após o início do encontro.

((TRIM TRIM))

Apertou o botão responder no celular e pegou o retrophone na mesa.

- Sim, estou na reunião ainda. Sei, sei. Resolvo isso assim que voltar.

Saiu e conseguiu mais orçamento.

Saturday, June 25, 2005

Em uníssono
Outra forma de dar impulso a paz no Oriente Médio é promover a integração de jovens de Israel e da Palestina por meio de projetos culturais.
O maestro argentino Daniel Barenboim receberá o prêmio "Echo Klassik", da Academia Fonográfica da Alemanha, por criar a orquestra juvenil árabe-israelense Divã Ocidental-Oriental.

Friday, June 24, 2005

Patrícia para o Nobel da Paz!

Outro dia, Leen Nadeau bateu à porta. Uma militante da esquerda, anti-Bush, contra o Wal-Mart e contra tudo. Lésbica, teve uma filha com seu melhor amigo gay. Ele morreu de AIDS há cinco anos. Ela mudou de São Francisco para cá. Chorou. Leen morou no Egito e entende o conflito árabe. Em julho, irá "fazer ponte" entre palestinos e israelenses.

- Ah, você vai para a faixa de Gaza! Que coragem!

- Eu vou! Só não vou para Bagdá porque ainda tenho algum cuidado.

Que diacho essa mulher queria fazer em Bagdá. Gritar contra quem? Se ela fosse fotógrafa, jornalista, eu entenderia. Mas uma militante americana é tudo que iraquiano não quer ver!


Se eu tivesse os contatos certos e força de vontade, abriria uma empresa chamada Phoenecian ou Cananeu. A instituição só venderia um "selinho", com um símbolo de um barco fenício. A mensagem: compre produtos árabes. Eu buscaria empresas no Oriente Médio com potencial para exportação e venderia minha estampa. Depois, faria um trabalho de Relações Públicas forte, com o objetivo de sensibilizar o torto e o direito. Conseguiria o apoio da ONU. Isso não deve ser difícil, toda ONG tem. Falaria com as câmaras de comércio. Pronto! Conservadores comprariam produtos com a estampa Phoenecian para ajudar os militares americanos morrendo em Bagdá; liberais e militantes da esquerda buscariam os produtos para mostrar que são contra a guerra; os estudantes, então, usariam até véu e comprariam o Corão! Seria o maior sucesso! Este é um jeito de promover a paz no mundo. Patrícia para o Nobel.

Thursday, June 23, 2005

Newman's Own

Se Paul Newman é conhecido por seus papéis em clássicos de Hollywood, ele é superstar por sua linha de produtos “socialmente responsáveis”. Desde 1982, o ator descobriu que sua imagem vendia qualquer coisa. Não há nada de novo nessa estratégia, Xuxa e Angélica têm bonecas, George Foreman tem churrasqueira, Cicarelli e Ronaldo têm casamento fajuto e por aí vai. Dúzias de celebridades fazem dinheiro com produtos, mas Paul Newman merece destaque. Ele descobriu o poder do marketing social há mais de 20 anos.

Quando o consumidor compra um produto Newman, todo o lucro é revertido para causas sociais. Assim, usar Newman é uma prova de cidadania, oh! “Newmans Own” começou com molho de saladas. Depois, com o sucesso da campanha social, a empresa passou a vender produtos como molhos de tomate para macarrão e pipoca de microondas. Em toda a história da empresa, cerca de 150 milhões de dólares já foram doados. Bem, não sabemos qual o faturamento total da “Newmans Own”, quais seus custos de produção e se os 150 milhões representam realmente 100% do lucro da empresa (é fácil diminuir o ganho auferido, aumentando os salários dos funcionários e da presidência, não?).

Do outro lado

Com o sucesso da marca, a filha do ator, Nell Newman, provou-se astuta. Em 1993, lançou uma empresa associada à do pai, a “Newman’s Own Organics”. Em 2001, à socapa, desvinculou-se. Nell visava o lucro e não há nada de errado nisso. O fato é: se a “Newman’s Own Organics” não compartilha dos objetivos sociais da “Newmans Own”, por que Nell usa dos dados da marca do pai em sua publicidade? Sim, além de não explicitar a separação, Nell usa fotos ao lado do pai, cifras da “Newmans Own” – exemplo: “o grupo Newman doou 150 mi” – etc. Nell fomenta suas vendas às custas do reconhecimento da empresa filantrópica de Paul.

Atualmente a “Newman’s Own Organics” tem mais de 72 artigos. De bolachas a velas, de rações de cachorro a sopas, tudo é orgânico. No momento em que a demanda por orgânicos é crescente mundialmente, Nell ganha espaço nas prateleiras dos supermercados. Ora, para quem já é a favor do orgânico, nem precisa se preocupar com o social. Papai faz.