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Wednesday, June 20, 2007

Som na caixa de Pandora

John Woodcock

Deixe a música entrar. Leve consigo apenas uma peneira com um entrançado suficientemente aberto para passar grãos de novidade e surpresa. Como este espírito livre e atento, a rádio online Pandora.com tem conquistado muita gente. O site promove uma experiência democrática para estimular a descoberta de músicas, sem que haja qualquer interferência de gravadoras, mídia, palpites de críticos ou sabichões. Lançado em dezembro do ano passado, o site já conta com mais de 7 milhões de assinantes nos Estados Unidos. Infelizmente, por dificuldades da legislação brasileira, foi impedido de funcionar no país.

Música e matemática. O tecnólogo e músico Tim Westergren, fundador do site Pandora, sonhava em desenvolver um sistema de classificação musical há mais de dez anos, pouco após terminar o curso na Universidade de Stanford. Na época, Tim trabalhava na criação de trilhas sonoras para filmes. “Diretor de cinema não é músico e não tem o conhecimento teórico para explicar objetivamente o que quer. São indicações subjetivas, pistas, caminhos”, conta. “Eu mostrava músicas, centenas de músicas, para extrair o que o diretor queria”. O filme passava, notas pululavam na cabeça de Tim e aproximações matemáticas ganhavam forma.

Em 2000, com o boom de novos negócios de Web, o empreendedor resolveu agarrar a oportunidade. Na época, era fácil conseguir investimento. Era a festa do start-up, euforia na Nasdaq. Havia muito dinheiro na praça e faltava idéia boa. Tim lançou sua flecha: o projeto faria o primeiro genoma musical da história, um software capaz de entender o DNA de músicas para agrupá-las em diversas maneiras. Ele ainda não sabia o futuro do projeto, se seria usado para educação, composição, indicação de artistas em lojas de CD, ou uma rádio. Conseguiu investimento e colocou a pesquisa para andar.

Taxonomia musical

Tim Westergren em Seattle, na Biblioteca Pública Central || foto de Patrícia Kalil

O núcleo de pesquisa identificou mais de 400 “genes” ou qualidades musicais classificáveis. Tipo de melodia, harmonia, ritmo, instrumentação, orquestração, arranjo, harmonia vocal, vigor e tom vocal, gênero musical, gênero do vocalista líder, nível de distorção da guitarra, tipo de background vocal, etc.

Depois de definido o algoritmo mestre, a equipe começou o trabalho de classificar músicas para entrar no sistema. O trabalho de taxonomia é lento, pois cada faixa precisa ser analisada individualmente e por um profissional treinado. Uma única canção demora cerca de 30 minutos para ser analisada. Não existe um meio automático de fazer este processo. Tim conta que eles fizeram um teste com profissionais não treinados e sem background musical e foi um desastre. “Leigos não sabem o que é harmonia, identificar nível de distorção, classificar uma escala como maior ou menor”, comenta.

Chega 2001, uma bolha no espaço. Quando a primeira bolha da Web estourou, o dinheiro sumiu, diversas "pontocom" fecharam. “Ninguém queria mais financiar o nosso projeto, parecia loucura levar 30 minutos para classificar uma única música”. Só restava esperança na caixa, nenhum tostão. Cada vez mais envolvidos e apaixonados com os resultados da engenhoca, eles não queriam parar. Com trabalhos paralelos, dinheiro emprestado ou dívida, o pequeno núcleo continuava a classificar músicas diariamente. Depois de 4 anos, eles atingiram um volume razoável de faixas catalogadas no sistema.

Plano de negócio

reprodução da página principal do Pandora

No ano início do ano passado, a versão beta do site entrava na Web. Em menos de um mês, milhares de pessoas já tinham assinado, criado rádios e testado as indicações do sistema Pandora. A prova do sucesso. Os investidores reapareceram.

Atualmente, o banco de dados tem mais de 500 mil músicas classificadas e o núcleo de análise tem capacidade de adicionar aproximadamente 12 mil novas músicas por mês. O PandoraClassics está em fase de desenvolvimento e terá um genoma com mais de mil atributos.

A rádio é totalmente gratuita e sustentada por investidores e anunciantes. O modelo de publicidade é excelente, pois possibilita o direcionamento para públicos bem específicos – exemplo: mulher, 25-30 anos, Seattle, que gosta de jazz; ou homem, 15-20 anos, Los Angeles, que gosta de surf rock. Adicionalmente, o site tem parcerias com as lojas Amazon e Itunes e recebe comissão das vendas geradas. Segundo Tim, 40% dos usuários compram CDs e o Pandora já comemora 171 mil vendas de discos na Amazon. A Microsoft, também atenta, fechou parceria ainda no ano passado e adotou o sistema Pandora para reciclar e melhorar o serviço de rádio livre no MSN.

A rádio tem capacidade para transmitir músicas constante e continuamente, sem a necessidade de copiar o arquivo de áudio para seu computador (streaming). Mas isso não basta, música existe além do computador. Como teste de mercado, a empresa começou este mês uma parceria com a operadora de telefonia celular Sprint e o lançamento de um tocador especial. E não pára por aí. Tim já tem planos para um adaptador para rádios de carro e outros aparelhos.

Tim mostra celular Spring com Pandora || foto de Patrícia Kalil

Direitos autorais e licença no Brasil


Cada vez que uma música toca no site Pandora, o artista recebe sua fração de direitos autorais. No caso da transmissão via internet, a legislação americana apresenta um artigo que dá o direito de sites pagarem direitos autorais diretamente para os artistas. O Digital Millennium Copyright Act (DMCA) viabilizou o pagamento sem intermediários e, por outro lado, também aumentou a pena de prestadores de serviço online no caso de infrações.

O problema é que fora dos Estados Unidos tal lei não existe. Para transmitir uma única música no Brasil seria necessário negociar separadamente com a gravadora proprietária do título. Fazer isso para toda faixa de música tornaria a situação muito difícil, cara e morosa. “Seria um trabalho inviável! Imagina, só com o nosso banco atual de 500 mil músicas, passaríamos mais tempo conversando com gravadoras do que classificando novas músicas”, comenta Tim. Ele conta que na Europa a maioria dos países já está com lobby para conseguir a aprovação da nova lei de transmissão digital e pagamento de direitos sem intermediários. “Só podemos torcer para que novas leis sejam criadas no Brasil”. A esperança pulsa.


Friday, April 27, 2007

Em todo sólido , todo gás e todo líquido

Luzes acesas, computadores ligados, música. A mesa de jantar estava posta: suco e água com gás, um delicioso salmão com molho de endro (dill), arroz e salada. Eu e Laurent. Tudo. Todos. No meio de uma história, servidos.

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Discutíamos com entusiasmo o vôo do físico Stephen Hawking no avião do Zero Gravity Corp, para experimentar a sensação de ter seu corpo em gravidade zero. Esta é a fase preparatória para uma possível viagem espacial a bordo Virgin Galactic, em 2009.

Portador de uma doença rara degenerativa, o físico tem movimento próprio apenas por meio de seus cálculos cosmológicos. Neste buraco negro, nossos passos e sobressaltos são pequenos e vulgares. Ontem, para sentir o novo, Hawking testou como é ficar em condições sem gravidade por 25 segundos. A sensação não foi corporal, talvez uma mistura entre o racional e o sonho da liberdade física.

Depois, em entrevista coletiva, Hawking falou sem encanto. Fez um paralelo sobre a possibilidade de o homem comum ir ao espaço e a vida caótica na terra. Falou da guerra, aquecimento global, a disseminação de epidemias incuráveis e o risco de ataques nucleares. Cá estamos, entre o retrocesso e o avanço. Sua voz digitalizada não revelava emoção com o futuro. Só dizia.

Hawking a bordo do Boeing 727, projeto Zero Gravity Corp, sobre o Atlântico

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A mesa de jantar tinha um único copo, o suco de uva que eu ainda não havia terminado. Meus copos sempre demoram a esvaziar. Luzes acesas, micros ainda ligados, alguma música. Pratos limpos.

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Comecei a ler o novo livro do escritor japonês Haruki Murakami, “Blind Willow, Sleeping Woman”. Sou suspeita para falar do escritor, sou fã. No primeiro conto, ele buscou referência no filme “Fort Apache”, 1948. Resgatou a fala de John Wayne: “Don’t worry. If you were able to spot some Indians, that means there aren’t any there (Não se preocupe. Se você foi capaz de ver alguns índios, isso quer dizer que não havia nenhum lá)”. Absorta.

Laurent, no outro sofá, tinha acabado de ler a New Yorker dessa semana e comentava dois artigos: um sobre a inevitabilidade do envelhecimento e outro sobre o massacre na Universidade Virginia Tech. O último questionava o direito civil de porte de armas nos Estados Unidos. O texto começava com uma cena brutal: enquanto os bombeiros retiravam os trinta e tanto corpos da universidade, os celulares nos bolsos dos estudantes baleados tocavam incessantemente. Pais desesperados procuravam um alô para saber se o filho estava bem. Sem resposta.

American Indian - Andy Wahrol

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Se eu tivesse visto algum índio, teria certeza que não tinha visto nada. Talvez fosse o dono de um cassino na estrada. Apache. Don’t worry. Be happy.

Monday, April 23, 2007

P selector

Propriedades dentro do elemento <p> recebem características de <p>. Quando as propriedades estão acima de <p>, em um <body> pai, <p> recebe a mensagem como se fosse por inspiração divina, uma tendência natural e maior que <p>. E <p> simplesmente <é>, sem saber ou duvidar. Eis o kantismo do css, a mostrar propriedades inerentes à constituição universal do style.

Saturday, March 31, 2007

Wii is the champion, my friend

Os vídeo-games estiveram fora da minha lista de consumo durante os últimos 15 anos. A vida mudou, sei, mas os aparelhos haviam mudado bastante também. As fabricantes de consoles iniciaram uma longa corrida em busca de processadores mais rápidos, gráficos mais chocantes e perfeitos, jogos violentos. Enquanto a Sony (linha PlayStation) e a Microsoft (linha XBox) disputavam o público de hardcore gamers, a Nintendo seguia (GameCube) na liderança dos jogos infantis. Ora, havia eu realmente deixado de ser alvo desse lucrativo mercado? Havia eu ficado velha, sem tempo e condenada para sempre?


Lenta, mas atenta, a Nintendo deu o bote. Lembrou que jogo é diversão e pode ser para toda família, para festas, para dar risada. Lembrou que o jogo de última geração deveria incluir todas as gerações iniciadas em games, mas abandonadas no meio do caminho. Wii love it!

Abaixo, fiz um pequeno gráfico para entender quando e porque eu havia parado de jogar vídeo game! Ora veja, toda minha atenção foi para o computador! :)

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Tuesday, March 27, 2007

Instructables

Instructables é uma plataforma de documentação na Web onde as pessoas apaixonadas por tecnologia, gadgets e arte compartilham suas invenções, projetos e maluquices. Além de mostrar o passo a passo para fazer cada projeto, o site colaborativo abre espaço para quem quer aprender e participar.