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Tuesday, May 15, 2007

Moves perpetually in its stillness


"...And what you do not know is the only thing you know
And what you own is what you do not own
And where you are is where you are not..."

t. s. eliot. four quartets

Friday, April 13, 2007

Calidoscópio


Linha reta
quando dança
curva

E um brinde à vox de Lu Terceiro, cheio de lux, que me acordou com as curvas da Árvore da Vida, bonita homenagem a Klimt. Lu é sempre cheia de surpresas, com cheirinho de alecrim. Um haicai resposta ao visitante K! E ainda, muitas cores para o pessoal do Haja Saco, que me faz rir um bocado.

Tuesday, March 27, 2007

No ar...

Andrew Rich

Será que tuim voa longe?
Voa sim, voa,
Asas batem à-toa
Sonhos pintam mapas
Olhos molhados de imaginar
Tuim faz castelos no ar
Tuim voa, coração palpita
Segue vento, segue
Vento empurra
Vento leva, voa
Tuim vem daqui
Tuim vem de lá
Pequeno, agita
Vê sua sombra corrida
Aflita, palpita
Grandes asas no asfalto
E... desenha o abraço
Que não soube dar
No ar, no ar.

Wednesday, January 10, 2007

Iutubi

Toda vez que ligo a câmera, quem cruza o campo de visão... Visão. P. Olhos com febre. Penetra. Cruzei o mundo a filmar. Vi P entrar na vida de muita gente...

Em Paris, poema
Em Pequim, pirata
No Porto, piada
No palco, personagem
No passado, physis
Post, promessa

P em Atenas foi pã
Arcádia, uva, azeite, frutos, eus
Generosa, intensa, imensa
Banquetes, lua cheia, Afrodite
No altar de P

P em Roma foi puta
Foi papa, pistola, sem pergunta
Orgasmo covarde, boca seca
Hálito azedo e culpa
Na fama de P

P em Jerusalém foi púnico
Retrato de guerra e pó
Desértico, que Deus, quase fel
Mudos, ocos e sem trato. Ratos.
Uma morte de P

P em Miami foi preso
Estrangeiro clandestino, fé em que
Cru, deslocado, medroso, submisso
Beijos sujos, salsa e pimenta
Na ficha de P

P em Londres foi punk
Por que, não acato, por que, podre pacato
Deixa-me vir, ir, viver, eu na minha, eu e eu,
Rebelo, quem ousa privar
Nii na lei de P

P em Itapoã foi o pescador
Vivia do e para o mar
Imenso, na casa pequena
Dia miúdo, noite infinita
Na rede de P

No passado, physis
Post, promessa
Toda vez que ligo a câmera, P.

Thursday, December 28, 2006

Sob o mesmo céu

Alô do outro lado, seu ouvido, sua e minha voz
Bastidor...
Sorriso de légua, olhos, respiração
Barulho, amor infra-som
E o mesmo céu

Conversa-sol destes dias temperados
Calefator...
Torrente de água, calma, aclimação
Arrulho, outros sons
E o mesmo céu

Fabular teclado, tic tic tic, jogo os dados
Ductor...
Mestiço-em-scène, núcleo, fusão
Orgulho, tantos tons
E o mesmo céu

Carinho, risada
Sagrada, sagrada
Ninho da patuscada
Sob o mesmo céu

Tuesday, August 08, 2006

El descenso

Esta chuva calma
Entre a terra que gira
e o céu imenso
Já não molha
Se água cai,
perde-se sozinha
Qual silêncio

No engasgo, o sufoco
sem lufada, gozo, refresco
Como vai, vem, contém?
Qual sabor, se ainda tem?
Post-mortem
Post-mortem

Esta chuva calma
Entre a terra que gira
e o céu imenso
Rasga folha
São tantos ais
que pinga sem ginga
El descenso

Sunday, April 16, 2006

Aequinoctiu

Tempo de recomeçar
Equinócio desde que o mundo é mundo
E astronomos observam o céu
Eis quando o sol cruza o Equador celeste
e faz dia e noite de igual duração
Nem
Pesahim, nem Festa Paschalia Christianus
nem Ching-Ming
apenas Aequinoctiu!

Friday, February 24, 2006

Silence

I have no <head>
<body> left without rule
<children dir> need me
<parent dir> help me

I have no
<head>
how to close a
<brokenheart> element
I could not understand the content
</body> is not the matching tag
<em>love</em>, where are you
<strong>faith</strong>, I am watching you

I have no <head>
<body> left without rule
<children dir> need me
<parent dir> help me

Ontem, fui encontrar Dallas, para irmos juntas à academia. Fazia frio. Sua porta estava aberta. As crianças na rua, o cachorro corria. Olhos d'água. O telefone avisou. Ron, seu marido de 42 anos, sofreu um ataque cardíaco na cidade vizinha. Ele foi; ela partida.

Friday, November 18, 2005

Vermelho e Amarelo no Azul

Quero mergulhar no Mar Vermelho
segredo do mundo que ainda não vi
Correr nua pela Arábia Saudita
sem ninguém perceber
efeito digital de burka-er

Quero viver no Mar Amarelo
Na costa da China, ser chinesa
efeito oriental china-er
Entender a Coréia do Norte ao longe
passar mensagens pelo céu
efeito político e social free-er

Cores do mar...
você é você e eu sou eu
viva Montaigne, amar é assim.

Wednesday, September 22, 2004

america when will we end
the human war?
Allen Ginsberg

Wednesday, September 15, 2004

onívoros

onívoros
como eu

como vacas sagradas
e não nego um joelho de porco
delicio-me com peixes de água doce
quando fervidos com sal.
lágrima.
como até mesmo maçã,
como eva fez de elã,
como um belo pé de alface
amebas, nem vejo...
do avesso

igual ao mendigo que
morre na sé,
ao budista que fala
de fé,
ao cristão que prega
amor
sou igual

sou um pedro
sem a chave do céu
sou inútil
jogada ao léu
sou sem chão

sou bacteria de leite azedo
como cedo
como tarde
como noite
como tudo e todos na terra.
sou assim.

Friday, September 10, 2004


Que nada
Nada que me faça
Faça-me sentir
talvez alguém
aqui
tão só
Sótão...
Parte tão de mim
Que se mascara até o fim
Do tempo...

Cadê alguém aqui?
Possibilidade de sentir-me
Menos só... que nada!

k. do desenkanto

Quem te acusou? O que fizeste?
Homem comum, nascido de mãos que contam insetos
Homem qualquer, funcionário de banco, morador de pensão
O Zé do K. de sotaque alemão.
Leio-te
E tu nem soubeste
Para que serve tua permissão?
Quem manda, agrides?
Quem é mandado, dormes?
Homem, tu fizeste, receias?
Interpreto-te, seleciono-te, julgo-te:
Tu vais ao encontro de teu vazio.
Não vês? Ainda crês? Tu ris.
Quis marchar contra o poder anônimo,
Pudeste Joseph?
Ora, contra o indizível nem o Verbo ousa...

Thursday, September 09, 2004

Suasório


Eu sô de sô-da-de,
sô sarracena
e na trama sua
só...de só-dade.

The Love Song of J. Alfred Prufrock

(...)
There will be time, there will be time
To prepare a face to meet the faces that you meet;
There will be time to murder and create,
And time for all the works and days of hands
That lift and drop a question on your plate;
Time for you and time for me,
And time yet for a hundred indecisions,
And for a hundred visions and revisions,
Before the taking of a toast and tea.
(...)
T.S.Eliot

Sunday, May 19, 2002


Centre Pompidou - pátio
cauchemar

O homem sofre...

grite a imensidão do tempo;
torna-te surdo, solto, sem sentidos;
águas que cercam o medo do covarde;
palavras sem canto para desembocar.

O homem passa...

leio mil letras no seu riso tolo;
finjo cegueira para embair o falso;
calo a voz, simulo cansaço;
busco no leito alguém para amar.

O homem olha...

entendo dia, esquecendo a noite;
‘toca-me quente, sem mais respirar’;
manhã seguinte, perdeu-se passado;
já era hora de não esperar.

O homem parte...

finjo ritmo, nessa estrada torta;
combustão para me queimar;
piso em falso a cada brincadeira;
busco em todos o que não posso dar

O homem brinca...