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Monday, July 04, 2005

Independência dos EUA


Zyke Hautetfort

Em 1776, Thomas Jefferson redigiu a Declaração de Independência dos Estados Unidos. Em 2005, fogos de artifício. Hollywood. Guerra dos Mundos. O pequeno Bush, o salvador, em discurso oficial, fala sobre liberdade. Cita, também, a luta no Iraque contra o terror.

Já foram gastos mais de 200 bilhões de dólares nesta guerra. Quantos já morreram? O que é essa tal idéia de liberdade americana?

Suavize o ambiente. Dissimule. Fogos! Palmas! Bandeiras cheias de estrelinhas em todas as casas. Caras pintadas. Amor à pátria. Rock, hamburger e coca-cola. O tempo, Dali, daqui, já não é de nenhum lugar.

Saturday, November 06, 2004

miserere

Bush de novo?
ora-veja...
estou orando!
"Abre, Senhor, os lábios de Bush, para que a boca de Bush possa anunciar o teu louvor. Não te comprazes nos sacrifícios nem te agrada qualquer holocausto que Bush te ofereça. O sacrifício agradável a Deus é o espírito contrito; ó Deus, não desprezes um coração contrito e arrependido do mundo."
Salmo 51 - adaptado por PK.

Wednesday, September 22, 2004

Diante da Dor dos Outros

fuerte cosa es!

Iraque
"Nosso fracasso é de imaginação,
de empatia: não conseguimos
reter na mente essa realidade"
Susan Sontag
No livro Diante da Dor dos Outros (Regarding the Pain of Others), a escritora norte-americana Susan Sontag avalia o impacto das imagens de dor e da guerra que são diariamente publicadas pelos meios de comunicação.
"A imagem ultrafamiliar, ultracelebrada -de agonia, de ruína- constitui um elemento inevitável do nosso conhecimento de guerra mediado pela câmera".
Somos bombardeados como iraquianos, com imagens violentas da burrice e arrogância norte-americanas. Uma maneira de banalizar a dor e alienar a crítica do mundo. Doses homeopáticas de maldade.
Por um lado, sabe-se que o fotógrafo, ao enquadrar uma cena, exclui o que lhe convém. Mas por outro, as fotos trazem um testemunho de quem viu. Yo lo vi. Não entraremos aqui na discussão da subjetividade porque este pequeno texto cresceria num sem fim, mas ao leitor cabe fazer essas reflexões.
As intenções do fotógrafo, no entanto, não determinam o significado da foto "(Este) seguirá seu próprio curso ao sabor dos caprichos e das lealdades das diversas comunidades que dela fizerem uso", escreve Sontag. E qual é o uso das imagens na mídia norte-americana? Ao falar em tevê, o que a Fox tem feito dos iraquianos?
Nas fotografias de guerra, as pessoas buscam por imagens que camuflam técnicas. No estilo oposto ao do artístico, as fotografias devem parecer menos trabalhadas com a finalidade de serem julgadas menos manipuladoras. Queremos ver sangue e horror sem jogo de luzes. Queremos o corpo nu.
A autora traz um histórico do fotojornalismo. Desde a Guerra da Criméia (Roger Fenton, Felice Beato), passa pela Guerra Civil Espanhola (1936-1939 - a primeira guerra coberta por profissionais da imprensa), vai para a II Guerra Mundial (reconhecimento do jornalismo fotográfico; Robert Capa), a guerra do Vietnã (revista Life; Larry Burrows), pula para Pnhom Penh, no Camboja, e, de guerra em guerra, fala da dor palestina e israelense, salta para o World Trade Center, o ataque ao Afeganistão e a invasão do Iraque.
Iraque:
Referências interessantes:
Agência Fotográfica Magnum (1947)
Revista francesa "Vu" (1929-)
Revista norte-americana "Life" (1936-1972):
http://www.life.com/Life/lifebooks/100photos/gallery/
Revista inglesa "Picture Post" (1938-)

Monday, February 10, 2003

EUA x Iraque

O presidente George Bush Júnior não é um homem que precisa de conselhos. Por essas e outras, o Conselho de Segurança da ONU não parece mudar muito os desejos do Chefe de Estado. O mundo vê contrariado.

Para demonstrar a insatisfação, um grande levante popular gritou basta. Dia 15 de fevereiro de 2003, mais de 8 milhões de pessoas em 60 países foram às ruas no maior protesto pacifista da história. Provavelmente não serão ouvidas. Mas a vontade de demonstrar o descontentamento é maior que a surdez alheia. "É importante e necessário dizer que esta guerra não é nossa", defende Jason Mark, diretor de comunicação da ONG Global Exchange (EUA), responsável por promover manifestações nos Estados Unidos. Em parceria com entidades como "United for Peace and Justice", "International Answer", "Win without War", a organização organiza manifestações contra à posição do próprio governo. "A guerra é iminente; já não há tempo para freá-la. No entanto, como cidadãos conscientes, devemos nos opor a ela".

Mas sequer as vozes da ONU mereceram atenção, ou de 3 dos 5 membros permanentes do Conselho de Segurança da organização (França, Rússia e China). Será que Bush reconhecerá vozes anônimas? Para o lingüista Noan Chomsky, o inevitável (ou seja, a guerra) não é o que lhe desperta interesse neste momento: "As manifestações devem ser analisadas por outro prisma, já que o ataque dificilmente será evitado. Nunca vimos na história mundial tamanha oposição contra uma guerra, antes mesmo dela começar", afirma.

Ora, mas o Iraque vem sendo bombardeado há mais de dez anos, desde o fim da guerra do Golfo em 1991. Todos fizeram vistas grossas ao fato. Dados da Unicef mostram que mais de meio milhão de crianças morreram por falta de nutrição e cuidados médicos no Iraque neste período. "Ataques isolados não mobilizam a população, uma ameaça de guerra mundial sim", replica Janson Mark.

O governo estadunidense parece jogar. Insinua que a oposição à guerra é uma espécie de aprovação ao governo iraquiano e, conseqüentemente, a oposição à liberdade. Longe disso. Os manifestantes do mundo não pelejam por Sadam Hussein, opõem-se simplesmente à guerra. Tanto faz matar em nome de regimes totalitaristas, como em nome da santa democracia. Nem mesmo Osama Bin Laden, o maior representante do mal, em "suposta" gravação transmitida pela imprensa, pleiteia em favor do ditador.

Nessa "cruzada" contra o mal, o primeiro-ministro inglês Tony Blair é o principal aliado dos americanos. Renasce, dessa aliança, a grande Sala da Justiça, onde brincam de heróis do mundo. Fora da fantasia de poder, pessoas morrem e sofrem. A oposição é o resgate da união popular, a romper barreiras internacionais.

Passo a passo

Muito antes dos ataques terroristas de 11 de setembro, o Iraque já era alvo americano. A guerra contra o terrorismo veio como pretexto para a entrada no Oriente Médio, uma das maiores áreas petrolíferas do planeta. Os Estados Unidos destruíram o Afeganistão em busca de um terrorista sem destino, culpado de planejar a queda das torres do World Trade Centre, em Nova York. Essa foi uma investida militar, de legítima defesa, autorizada pela ONU. Os Estados Unidos prometiam consertar o estrago após o fim do regime Taliban e o aprisionamento de Bin Laden. Até hoje as ações de reconstrução do país não correspondem às promessas norte-americanas; Bin Laden também continua com paradeiro perdido.

Antes mesmo de amenizarem os ataques no Afeganistão, os Estados Unidos já se engajavam em outra grande "luta". A "guerra contra o terrorismo" transformara-se numa guerra contra inimigos americanos. Ressurgiram suspeitas contra Cuba, Iraque, Coréia do Norte etc. No caso do Iraque, a guerra sempre pareceu óbvia. Desde a invasão do Kwait pelo Iraque, a família Bush tem Sadam Hussein como alvo inquestionável.

Em 1991, depois do fim da guerra do Golfo, inspeções da ONU entraram no Iraque, como parte de um processo de desarmamento do país. Durante 7 anos, os inspetores da organização vasculharam as terras iraquianas. Em 1998, o ditador Saddam Hussein fechou suas portas, pois além de fortemente vistoriado, o país continuava sendo alvo de ataques aéreos de forças norte-americanas e inglesas. Assim, este conflito corre solto há mais de 10 anos: a suposta campanha bélica atual é a mesma, com roupa velha e bota suja.

Durante quatro anos, de 1998 à 2002, não houve inspeção no Iraque. Em novembro do ano passado, já no período de caça aos terroristas do governo estadunidense, o Iraque foi obrigado a reabrir suas portas por, supostamente, possuir armas de destruição em massa. A nova grande intervenção ao país vinha de uma presumida estocagem de armas químicas e bacteriológicas. Saddam permitiu a vistoria da ONU. Mas não colaborou, inicialmente, conforme combinado. Agora, depois de concessões do Iraque à ONU, insperores tiveram mais condições de fazer a "revista". Mas ainda não encontraram nada que justifique um ataque militar dos EUA.